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KLEBERSON E IBIPORÃ

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Sábado, 25 de maio de 2002
Ibiporã não tem outro assunto. Só o seu ídolo Kléberson
Para dar força a seu craque, a cidadezinha do norte do Paraná até lhe mandou uma bandeira autografada
Kuala Lumpur - Ibiporã, uma pequena cidade no Norte do Paraná, está vibrando com um filho de adoção. Não se fala outra coisa na província a não ser de Kléberson, nascido em Uraí (PR) e adotado por Ibiporã desde a infância. Trata-se do acanhado volante titular de última hora da Seleção Brasileira. O jogador de 22 anos, revelado no Atlético Paranaense, é quase um deus na cidade. Ficou mais famoso ainda quando ouviu de Luiz Felipe Scolari que será o parceiro de Émerson na Copa do Mundo.
Muito longe de lá, em Kuala Lumpur, Kléberson andava encabulado até receber um presente dos conterrâneos. Foi a primeira encomenda enviada à Seleção desde que o time aportou na Malásia, na segunda-feira. Uma bandeira verde e amarela, com centenas de autógrafos e mensagens de apoio ao time do Brasil, chegou embrulhada no seu quarto ontem de manhã.
O jogador levou um susto quando recebeu a bandeira. Tímido, pediu aos cobras da Seleção uma foto com todo o grupo reunido sacudindo o pavilhão. As fotos foram feitas antes do treino de sexta-feira à tarde no Estádio Bukit Jolil.
Em breve, serão enviadas para Ibiporã.
Ele não quer ser prefeito, só jogar futebol
"Fiquei emocionado com a homenagem do pessoal da minha cidade.
Estão falando muito de mim lá. É um orgulho. É uma motivação a mais para todos nós. Só que os meus companheiros pegaram no meu pé. Disseram que serei prefeito de Ibiporã quando voltar da Copa. Não quero isso não, meu negócio é jogar futebol".
A população de Ibiporã, por enquanto, não vê no atleta um político. Quer festa. No ano passado, Kléberson foi colocado em cima do caminhão do Corpo dos Bombeiros para um desfile de honra. Tudo porque ele acabava de ser campeão brasileiro defendendo o Atlético Paranaense. Chorou de emoção.
"Chorei também quando saiu a convocação dos 23 jogadores para a Copa do Mundo. Abracei meu pai, choramos muito".
A família de Kléberson é bem humilde. Continua morando em Ibiporã enquanto o filho já está bem instalado em Curitiba. Com o dinheiro que amealhou no Atlético Paranaense, comprou uma pequena chácara e uma Cherokee. Pode aumentar o patrimônio em breve se vingar uma das duas propostas de clubes europeus orçadas em US$ 18 milhões, que os dirigentes do Atlético guardam sob sigilo.
No caso de o negócio engatilhar, o Atlético terá direto a apenas 50% da transação. Os outros 50% pertencem ao PSTC (Paraná Soccer Training Club), um centro de formação de jogadores de um empresário japonês, onde Kléberson iniciou a carreira como infantil. O japonês apostou no garoto, que esteve também em Londrina, de 1997 a 98. No ano seguinte, foi negociado com o Atlético naquela base de metade para cada um.
No primeiro jogo, dois gols na Bolívia
O primeiro salto da carreira do novo volante foi a conquista do Campeonato Brasileiro na temporada passada. No dia 31 de janeiro, entrou pela primeira vez na lista oficial de Scolari, convocado para o amistoso com a Bolívia, em Goiânia. Fez dois gols e participou de outros três no jogo aéreo.
Agora, a situação é outra. A Copa do Mundo é daqui a seis dias. Kléberson, simplório, não tem noção do tamanho do evento. Repete a todo instante que o grupo está motivado, unido. "Vamos fazer de tudo para retribuir a confiança.
Estamos muito unidos", insiste o jogador paranaense a cada microfone ligado, sempre sorrindo, expondo o metal dos aparelhos nos dentes.
Ele é quase uma exceção entre os 11 titulares que Luiz Felipe Scolari elegeu para formar a Seleção. Nove deles jogam no futebol europeu. Em breve, pode entrar mais um nessa equipe. "Tenho muita vontade de jogar na Europa um dia.
Mas, agora, o meu negócio é fazer uma grande Copa do Mundo".
LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI Jornal da Tarde Enviado especial a Ibiporã no Paraná para realizar esta excelentematéria.



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KLÉBERSON, futuro prefeito de Ibiporã, disputa o lance com Gilberto Silva, de quem ganhou a posição
KUALA LUMPUR, Malásia - O apoiador Kléberson se transformou em herói da pequena cidade de Ibiporã, onde nasceu, no interior do Paraná. Ontem, ele recebeu dos habitantes da terra natal uma homenagem que jamais esquecerá. Os ibiporanguenses lhe mandaram uma bandeira do Brasil, assinada por dezenas de moradores, amigos e parentes, com os votos de parabéns e de boa sorte para ele e toda seleção brasileira.
Emocionado, o jogador chamou os companheiros de Seleção para posar com a bandeira, numa foto oficial que será enviada para Ibiporã. No centro do campo do suntuoso Estádio Nacional, ele quase explodiu de orgulho. Só tenho a agradecer por tanto carinho. É bom demais saber que, mesmo estando do outro lado do mundo, tem gente torcendo e rezando por você. Foi um dia muito feliz, agradeceu Kléberson.
E felicidade é o que não falta para o apoiador. Na calada, de mansinho, ele acabou roubando de Gilberto Silva e Vampeta a vaga de titular da seleção brasileira. Mas não me considero titular. Aqui, todos têm condições de jogar na equipe principal. Porém, só o fato de saber que o técnico gosta do meu futebol já me deixa honrado, vibrou o jogador.
Kléberson entende que o amistoso de hoje, contra a Malásia, será de fundamental importância para a sua permanência na equipe. Apesar da fragilidade do adversário, o apoiador promete se desdobrar em campo, com a mesma seriedade de quem enfrenta uma Argentina. Não quero saber se vou enfrentar time grande ou pequeno. Entro na disputa como se fosse uma decisão. Sempre foi assim, pois não gosto de perder. Tenho de render o máximo, é aquela chance que a gente não pode desperdiçar. Acho que vou ter o jogo da minha vida", comentou o paranaense.
Antes de seguir para o vestiário, voltou-se para torcedores brasileiros que gritavam seu nome das cadeiras do estádio. Fez um aceno e ouviu de outros jogadores uma brincadeira. "Disseram que eu vou virar prefeito na cidade onde tenho tantos amigos".

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